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5 Mulheres e a Engenharia no Brasil


Quantas descobertas científicas que você conhece foram feitas por mulheres? Física, Matemática, Engenharias, Química, Biologia e outras ciências sempre foram majoritariamente exercidas por homens, afinal, o papel da mulher na sociedade sempre foi ligado a questões socioafetivas e não técnicas.


O último século foi marcado por mudanças políticas (Revolução Cubana, Revolução Russa), econômicas (ascensão e consolidação do capitalismo), tecnológicas (Revolução industrial, criação da internet, IOT) e sociais (revogação de políticas segregacionistas, sufrágio feminino) que resultaram hoje em uma crescente inserção da mulher no mercado de trabalho e na educação superior.


Entretanto, segundo dados recentes do IBGE, o número de mulheres que se formam em cursos de Engenharia não chega a ultrapassar 30% do total geral de graduandos. Além disso, o preconceito no mercado de trabalho ainda é grande - profissões predominantes masculinas tendem a menosprezar a presença feminina, devido à objetificação e as expectativas ainda enraizadas na sociedade e a diferença salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função ainda existe de forma considerável.

Tendo isso em mente, que tal conhecer 5 mulheres que foram pioneiras nas Engenharias do nosso país?



Edwiges Maria Becker Hom’meil

Em 1917 Edwiges se tornava a primeira mulher engenheira civil do Brasil. Se formou na Escola Polythecnica do Distrito Federal, hoje a Escola Politécnica da UFRJ. Recentemente foi comemorado o centenário que marca o pioneirismo dessa data que marca a aventura em um novo universo que abriu portas para o futuro de milhares de mulheres.



Aïda Espinola

Filha de um empresário do ramo de medicamentos, Aida se formou primeiro em Química Industrial. Depois, conquistou o diploma de Engenheira Química pela Universidade do Brasil. Após essa etapa, fez seu mestrado na University of Minnesota, doutorado pela Pennsylvania State University e se tornou PhD pela Universidad de La Plata.

Foi responsável por chefiar o laboratório que explorou o primeiro poço de petróleo do Brasil e que foi escolhido pela NASA para analisar fragmentos rochosos extraídos da Lua. Foi professora da UFRJ e orientou diversas teses e dissertações.



Veridiana Victoria Rossetti


Foi a primeira engenheira agrônoma do estado de São Paulo e apenas a segunda em todo o país. Fez suas especializações em universidades americanas, conseguindo bolsas de estudo para desenvolver pesquisas no ramo das plantas.

Dedicou sua vida a pesquisa de doenças de citrus, caminhando para estudos do isolamento de fungos do gênero Phytophthora da gomose dos citros. Passou a integrar a Comissão Internacional de Phytophthora e foi presidente da Comissão Permanente de Cancro Cítrico de 1975 a 1977. Teve mais de 300 trabalhos publicados ou apresentados em congressos nacionais e internacionais e recebeu dezenas de prêmios e homenagens.



Enedina Alves Marques

Enedina foi a primeira mulher negra a se formar em engenharia no país e a primeira mulher engenheira do estado do Paraná. Ela trabalhou como empregada doméstica e babá para se manter financeiramente durante todo o período em que estudou, do ensino fundamental à graduação.

Todo o período em que atuou no mercado de trabalho, em um âmbito majoritariamente masculino, foi marcado pela constante reafirmação que a mesma devia fazer por ser mulher e negra e constantemente ser submetida a situações desrespeitosas e embaraçosas. Durante a obra da Usina Capivari-Cachoeira Enedina ficou conhecida por andar sempre de macacão e com uma arma na cintura, com a qual atirava para cima sempre que havia a necessidade de exigir ser respeitada.

Sempre liderando diversos peões, operários, técnicos e engenheiros, a vida dela foi marcada pelo pioneirismo em diversas frentes.



Ana Primavesi


Ana, austríaca de nascença, sobreviveu aos horrores das prisões da Segunda Guerra Mundial. Então, veio para o Brasil, onde deu início à sua carreira acadêmica. A engenheira agrônoma desbravou no ambiente masculino em que trabalhava e foi uma das primeiras a analisar o solo como um ser vivo, com todas as devidas especificações e variáveis. Foi também pioneira no estudo sobre o manejo ecológico do solo e sua difusão.

Ao longo da vida foi homenageada e recebeu diversos prêmios, inclusive o One World Award, o principal da agricultura orgânica mundial. Como escritora, sua obra mais prestigiada é o Manejo Ecológico do Solo: a agricultura em regiões tropicais. Foi professora da Universidade Federal de Santa Maria, RS e foi uma das fundadoras do primeiro curso de pós-graduação em Agricultura Orgânica e de entidades como a Associação de Agricultura Orgânica, o Movimento Agroecológico Latino-americano e a Federação Internacional de Movimentos e Agricultura Orgânica.


É sempre bom saber quem está por trás do nosso presente. Graças às cinco mulheres citadas e a centenas de outras que desbravaram o universo da engenharia no Brasil, que hoje, milhares de adolescentes se sentem confortáveis o bastante para se desafiar nesse ramo ainda tão fechado e dominado pelo machismo. Devido as nossas predecessoras que hoje nos sentimos minimamente confortáveis para atuar nas áreas que nos cativam, sem necessariamente termos que provar todo dia o nosso valor.


O futuro das engenheiras é brilhante e infelizmente ainda possui algumas pedras no caminho. Cabe a nós moldarmos o presente de nossas futuras colegas de profissão, assim como Aida, Enedina, Veridiana, Ana e Edwiges fizeram.


Sejamos fortes e destemidas, afinal, as mulheres na engenharia ainda tem muito a oferecer.


Por Anna Clara Ribeiro

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