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Quantas mulheres você leu na graduação?

Atualizado: 27 de Set de 2018



Não sei se é surpresa pra alguém que os centros tecnológicos dos espaços acadêmicos são, ainda, compostos majoritariamente por homens. Inclusive, há um estudo meio recente (2012 é recente?) que revelou que existe um viés persuasivo e inconsciente que favorece estudantes masculinos de ciências em detrimento das suas colegas mulheres.

Sabendo de tudo isso, não é surpresa também que, ao pensar em grandes profissionais da ciência, não nos venham mulheres à cabeça. Mas a verdade é que a história está repleta de mulheres incríveis! Elas, muitas vezes, tiveram que se esforçar muito mais do que um homem precisaria se esforçar no lugar delas e, mesmo assim, chegaram onde chegaram.

Quem sabe se a gente souber um pouquinho de algumas delas, essa cultura mude um pouco?!


Hypatia de Alexandria (355 d.C. - 415 d.C.)

“Havia em Alexandria uma mulher chamada Hypatia, filha do filósofo Theon, que faz tantas realizações em literatura e ciência que ultrapassou todos os filósofos do seu tempo. Tendo progredido na escola de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da filosofia a quem a ouvisse, e muitos vinham de longe para receber seus ensinamentos.”

Sócrates, o Escolástico (em ' História Eclesiástica')


Hypatia foi a primeira mulher documentada na História como matemática. Para ser justa: ela foi uma das maiores pensadoras do Egito Antigo. Sua história é bonita e trágica (e está interpretada no filme Alexandria, se você tiver interesse), e conta com um pai filósofo, astrônomo e mestre em matemática, o que a inseriu nesse contexto desde muito jovem. Ela estudava, já naquela época, o movimento do Sol e como ele poderia ser o centro do nosso sistema planetário - sim! Antes de Copérnico - e provavelmente foi a primeira pessoa a levantar a hipótese de que o movimento da Terra em torno do sol ocorreria em elipses, e não em círculos. A época de truculentas disputas religiosas não deixou espaço para uma pensadora neoplatônica, nem para suas obras. Seu assassinato se deu na cisão da Idade Clássica Pagã para a Idade Média. Voltaire, mais tarde, condena os abusos da Igreja com a morte de Hypatia.


Marie Currie (1867 – 1934)

Não tem como não citar a queridíssima “mãe da Física Moderna”. Além de tudo o que já sabemos, Marie é mais uma pioneira na docência universitária: foi a primeira mulher a lecionar na Universidade de Sourbonne, em Paris (tá vendo? quando eu digo que essas mulheres tinham que fazer um tantão a mais do que os homens para ocuparem os mesmos cargos…). Relembrando o “tudo o que já sabemos”: a famosa pesquisa pioneira sobre a radioatividade, a descoberta dos elementos polônio e rádio e a consequista ao isolar isótopos destes elementos. Com isso, foi a primeira mulher a ganhar um Nobel e a primeira pessoa a ser laureada duas vezes com o prêmio (em Química, em 1903 e em física, em 1911). Sua história termina com uma leucemia causada pela exposição prolongada à radioatividade ):


Amalie Emmy Noether (1882 - 1935)

Até hoje, poucos sabem que “o” Nother, do Teorema de Noether, na verdade é uma mulher. Ela viveu num contexto em que as mulheres eram proibidas de frequentar às universidades na Alemanha, mas seus estudos de alemão, inglês, francês, aritmética e lições de piano lhe conferiram mérito suficiente para ser a primeira mulher a obter permissão para estudar na Universidade de Erlangen. Passou por doutorado, com dissertação sobre invariantes algébricos, chegando ao nível de PhD (detalhe: o ambiente acadêmico ainda era proibido para mulheres!). Teve que dar aulas sob o nome de um homem. E mais: sem receber salário. Chegou a receber uma carta do próprio Ministro da Eduacação da Prussia, conferindo-lhe o título extraordinário de professora, mas ainda nada de remuneração. Era tão boa que seus alunos eram conhecidos como “os garotos de Noether”. Por fim, ninguém mais, ninguém menos que Albert Einstein usou sua teoria sobre invariantes algébricos para chegar na teoria da relatividade.


Mary Jackson (1921 - 2005)

Mary nasceu negra numa América segregatória. Frequentou escola para negros e se formou com honrarias. Na graduação, se formou em Matemática e em Ciências Físicas. Como podemos imaginar, Mary passou vários perrengues, teve uma série de empregos e até ficou um tempo em casa devido à maternidade, tudo isso antes de virar nada mais nada menos que a primeira mulher negra a ser engenheira da NASA, e seus artigos eram focados no estudo do comportamento do ar ao redor de aeronaves. A jornada foi longa e dura, e ela inclusive chegou a considerar a aposentadoria no meio do caminho, enquanto ainda estava na NACA (precessora da NASA), por tanta desigualdade e segregação. Por fim, trocou o cargo de engenheira por um cargo no “Programa de Oportunidades Iguais”, onde ficou até o fim de sua carreira, incentivando jovens e mulheres a seguirem as mais diversas áreas. Sua representatividade é tamanha que Mary foi uma das inspirações para o filme “Estrelas Além do Tempo”.


Por fim, ainda num contexto de NASA, a primeira astronauta negra da história, Mae Jamison, fala em uma de suas entrevistas:

"Mais conhecimento sobre a história de Katherine Johnson, Dorothy Vaughan a Mary Jackson teria mudado muitas pedras no caminho das mulheres."

A ciência não foi criada e desenvolvida pelos homens. Nossas histórias ficaram escondidas em algum lugar pelo caminho. E aí, já pensou em aumentar as mulheres que você lê na graduação?


Obrigada pela leitura! :)

Escrito por Maria Eduarda Furtado

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