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Sistema Toyota de Produção: os 14 princípios


Que a Toyota é referência mundial quando o assunto é automobilismo, todo mundo sabe. E existe um grande burburinho ao falarmos sobre como a empresa entrega seus produtos com uma extraordinária qualidade e eficiência. Aqui no blog, nós já comentamos um pouquinho sobre o tão aclamado Lean Manufacturing e hoje o post vai ser complementar a esse. Você conhece o Sistema Toyota de Produção e seus 14 princípios?


Informação importante: esse texto foi baseado no livro “O Modelo Toyota: 14 princípios de gestão do maior fabricante do mundo”, do autor Jeffrey K. Linker, que foi uma recomendação dos nossos parceiros do Glean. Se você se interessa por essa área, não deixe de conferir o site do grupo: https://glean.com.br/.


O SISTEMA TOYOTA DE PRODUÇÃO


O Sistema Toyota de Produção (STP) é um sistema de produção desenvolvido pela Toyota que baseia grande parte do movimento de “produção enxuta”. O STP foi desenvolvido em um período pós 2ª Guerra Mundial, quando o Japão passava por uma forte crise. Diferente de outras empresas do mesmo ramo, como a Ford e a GM, a Toyota precisava inovar com: alta qualidade, baixo custo, menor lead time e muita flexibilidade. E foi assim que o STP surgiu.


OS 14 PRINCÍPIOS DO MODELO TOYOTA


Os 14 princípios são organizados em 4 categorias: Filosofia, Processo, Funcionários e parceiros e Solução de problemas. Vem conhecer um pouquinho mais!


Filosofia: Pensamento de longo prazo


Princípio 1 - Basear as decisões administrativas em uma filosofia de longo prazo, mesmo em detrimento de metas financeiras de curto prazo: a ideia aqui é que os lucros de curto prazo nem sempre serão a primeira meta. O STP versa sobre a necessidade de que as decisões tomadas devem considerar o que é certo para a empresa, seus funcionários, clientes e para a sociedade como um todo. É mais importante ter uma empresa alinhada a um objetivo maior do que lucrar rapidamente.


Processo: Eliminação de perdas


Princípio 2 - Criar um Fluxo de Processo Contínuo para trazer os problemas à tona: esse princípio diz que devemos ter processos com alta geração de valor, eliminação de perdas e de fluxo contínuo. Devemos criar mecanismos para que possíveis problemas durante a produção sejam rapidamente encontrados e resolvidos.


Princípio 3 - Usar sistemas “puxados” para evitar a superprodução: já pensou em poder ao cliente exatamente o que ele deseja, no momento e quantidade em que ele precisa? Nesse ponto, é ideia é como se fosse a de um mercado: o cliente seleciona o que precisa e a reposição acontece de acordo com a demanda. O livro apresenta um conceito importante para esse sistema, o Kanban, que é extremamente visual e de fácil compreensão.


Princípio 4 - Nivelar a carga de trabalho: nesse princípio, são apresentados alguns conceitos importantes: Muda (nenhuma agregação de valor), Muri (sobrecarga de pessoas ou de equipamento), Mura (desnivelamento) e Heijunka (nivelamento da produção e dos planos), e esse último é sobre o princípio se trata. A ideia aqui é nivelar a produção em volume e combinação de produtos, ou seja, não fabricar produtos de acordo com o fluxo real de pedidos, mas nivelar o volume total de pedidos em um período de tempo. Devemos trabalhar como tartarugas, não como lebres!


Princípio 5 - Construir uma cultura de parar e resolver problemas, para obter a qualidade desejada logo na primeira tentativa: a qualidade das entregas é muito importante e deve ser priorizada. Nesse princípio, devemos focar em parar e solucionar os problemas que foram encontrados, mesmo que isso consuma um tempo que pareça não existir, afinal, se eles não forem resolvidos, eles voltarão e provavelmente vão gerar retrabalho. Aqui também é apresentado um conceito interessante, a Autonomação, que é uma automação inteligente, com toque humano.


Princípio 6 - Tarefas padronizadas são a base da melhoria contínua e da capacitação dos funcionários: a padronização dos processos de uma empresa é chave para a correta realização das atividades, garantia da qualidade, previsibilidade, regularidade de tempos, gestão do conhecimento, capacitação de colaboradores e melhoria contínua. Por isso, é importante garantir que essa atividade seja realizada.


Princípio 7 - Usar controle visual para que nenhum problema fique oculto: outro conceito importante é apresentado aqui, o 5S, que compreende uma série de atividades para eliminar as perdas que contribuem para os erros, defeitos e acidentes de trabalhos. Os 5S são seiri, seiton, seiso, seiketsu e shitsuke . Esse princípio diz que devemos, por meio de uma verificação rápida, ser capaz de encontrar qualquer problema que possa existir e que as informações / indicadores devem estar muito claros e fáceis de enxergar.


Princípio 8 - Usar somente tecnologia confiável plenamente testada que atenda aos funcionários e processos: toda adoção de nova tecnologia deve ser implementada para apoiar pessoas, processos e valores. Antes de efetivamente trabalharmos com uma nova tecnologia, devemos ter certeza de que ela funciona bem, foi testada e assegura agregação de valor.


Funcionários e parceiros: Respeitá-los, desafiá-los e desenvolvê-los


Princípio 9 - Desenvolver líderes que compreendam completamente o trabalho, vivam a filosofia e a ensinem aos outros: segundo o princípio, os líderes devem ser pessoas que realmente entendem a filosofia implementada, que já vivenciaram e acreditam no sistema. Além disso, é importante que essas pessoas repassem esse conhecimento para os outros, afinal, sem isso é difícil ter pessoas conscientes. É uma prática comum na Toyota que os colaboradores tenham responsabilidade sem autoridade, o que os prepara para a carreira na empresa.


Princípio 10 - Desenvolver pessoas e equipes excepcionais que sigam a filosofia da empresa: é importante que exista respeito e confiança no trabalho e capacidade das pessoas. Além disso, devemos ter uma grande atenção no desenvolvimento das equipes e entender que cada um é um ser individual.


Princípio 11 - Respeitar sua rede de parceiros e de fornecedores, desafiando-os e ajudando-os a melhorar: os parceiros devem ser tratados como uma extensão da própria empresa. Assim sendo, é necessário prezar pela comunicação clara e respeitosa, de maneira a garantir uma aliança forte entre empresa e fornecedor e trazendo oportunidade de melhorias que podem resultar em pontos positivos até mesmo ao seu produto.


Solução de problemas: Aprendizagem e melhoria contínua


Princípio 12 - Verificar a situação por si mesmo para compreendê-la completamente (Genchi Genbutsu): esse princípio diz que é necessário analisarmos a situação com atenção e ir até o local para verificar o que está acontecendo. Além disso, devemos entender totalmente o que está causando essa situação e buscar identificar com muito cuidado para solucionar a problemática da maneira correta.


Princípio 13 - Tomar decisões lentamente por consenso, considerando completamente todas as opções; implementá-las com rapidez (Nemawashi): é importante considerar a opinião das pessoas envolvidas, buscando por consenso e maximização do aprendizado. O livro começa a explicar esse princípio com a ideia de que a Toyota leva mais tempo planejando do que outras empresas, em compensação, a implementação é muito mais eficiente e rápida, já que os problemas já foram pensados e solucionados.


Princípio 14 - Tornar-se uma organização de aprendizagem pela reflexão incansável (Hansei) e pela melhoria contínua (Kaizen): esse princípio fala sobre a necessidade de encontrarmos a causa raiz dos problemas, enxergar os erros como oportunidades de aprendizado e desenvolver soluções. Além disso, a melhoria contínua deve estar sempre presente nas atividades da empresa.


E aí, gostou desse texto? Esse é só um resumo do que o livro e a filosofia falam. Caso queira conhecer mais, fica aqui o meu convite para a leitura do livro. Obrigada por chegar até aqui e até logo!


Escrito por: Ana Luiza Garcia

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